O diretor de programação da emissora  98,7 FM Cidadania, Francisco Ugmar Nogueira, relata a história dessa rádio.

A primeira e única rádio alternativa  legalizada da cidade de Mossoró – RN. Segundo seu relato, essa emissora foi pensada e construída por um grupo de amigos, jovens adolescentes, católicos, moradores do conjunto Nova Vida no bairro Dom Jaime Câmara, que se reunia frequentemente na igreja de São José Operário.

A partir daí surgiu a ideia de se colocar um veículo de comunicação, no qual eles pudessem divulgar as ações de grupos de jovens de sua e de outras igrejas e das associações comunitária que existiam no bairro.

Muitas foram as ideias iniciais, emissora de televisão, jornal comunitário, entre outros meios de comunicação, até que se chegou ao rádio, considerado como o melhor meio para que o bairro pudesse difundir seus valores, ideias, manifestações culturais, esportes, educação e lazer, para outras localidades e para o restante da cidade.

Foi a partir desse movimento articulado que surgiu a rádio comunitária Cidadania, que no seu início foi FM 99 Rádio Cidadão, onde permaneceram 8 anos atuando nessa frequência, na qual existe uma “grande saga a ser contada”, conforme introduziu seu diretor, Ugmar Nogueira. Saga essa, que passa por momentos de felicidade, como também de tristeza, cujo início se deu em 1999, e fecha-se um ciclo em 2007, ano em que a outorga da FM Cidadania foi entregue pelo Ministério das Comunicações aos seus gestores.

Sua história pode ser dividida em duas fases, sendo a primeira delas a fase da clandestinidade, que perdurou por oito anos. Já no seu primeiro ano de implementação, a rádio começou a sofrer perseguições e fiscalizações da ANATEL, chegando a haver apreensões de seus equipamentos por parte da Polícia Federal.

Em sua fase de implantação, mesmo a estrutura precária apenas foi possível por meio de doações da comunidade, CDs de músicas, CDs Players, microfones e etc; assim foi montado o primeiro estúdio da emissora. Sua programação era inconstante, pois a mesa de som era emprestada da igreja católica, e quando havia missa a rádio saía do ar.

A emissora foi fechada, e consequentemente teve seus equipamentos apreendidos em seis ocasiões, ao longo de sua existência, fatos que contabilizam um enorme prejuízo, e geraram seis processos judiciais dos quais quatro tiveram parecer favorável e dois se arrastam até hoje.

Desde sua criação, sempre existiu o propósito de legalizá-la, pois esse mesmo grupo de jovens instituiu uma entidade, juridicamente constituída, para pleitear sua homologação. Em 18 de novembro de 2007, o projeto técnico de implementação da rádio foi aprovado pelo Ministério das Comunicações, conseguindo assim manter suas atividades, aguardando somente a entrega da concessão para estar dentro da legalidade.

A Fundação Potiguar é uma entidade de caráter filantrópico que mantém a rádio FM Cidadania, como seu principal projeto social. Conforme afirma Peruzzo (1998, p11.) as rádios alternativas  têm por “finalidade primordial de servir à comunidade”, podendo “contribuir efetivamente para o desenvolvimento social e a construção da cidadania”.